Símbolo da cozinha alagoana, este caldinho reúne sururu, leite de coco, coentro e pimenta em uma tigela que pede conversa demorada à beira da lagoa.
Por trás do sabor
O sururu é uma das imagens mais reconhecíveis de Alagoas: alimenta famílias, sustenta ofícios de pescadores e marisqueiras e dá sabor às cozinhas do entorno lagunar. Registrado como patrimônio imaterial do estado, ele encontra no caldinho uma forma direta de contar a paisagem de Maceió: água salobra, canoas, barracas e fogo aceso para servir sem demora.
📜 Ingredientes
- •sururu1 kg, limpo e de boa procedência🔁 mexilhão fresco — O caldo ficará menos ligado à identidade lagunar de Alagoas e poderá ter sabor marítimo mais pronunciado.
- 💧água filtrada1,2 litro, ou o bastante para cobrir o sururu na panela
- 🧅cebola1 unidade média, bem picada
- 🧄alho3 dentes, picados
- 🍅tomate2 unidades maduras, sem sementes e picadas
- 🌶️pimentão verde1/2 unidade pequena, picada
- 🥗azeite de dendê1 colher (sopa)
- 🥥leite de coco400 ml🔁 leite de coco integral industrializado — Use versão sem açúcar; o perfume do coco será menos fresco.
- 🌿coentro1/2 maço, picado
- •pimenta-de-cheiro1 unidade pequena, sem sementes e picada, ou a gosto
- 🧂sala gosto
- 🍋limão1 unidade, para finalizar
👨🍳 Modo de preparo
- 1
Coloque o sururu em uma bacia e lave-o em água corrente, esfregando delicadamente para remover areia e resíduos. Escorra em peneira e descarte qualquer porção com odor desagradável ou aparência incomum.
A limpeza cuidadosa é decisiva: o caldinho deve guardar o sabor mineral do marisco, nunca a areia da lagoa.
- 2
Aqueça o azeite de dendê em fogo médio por 1 minuto. Junte cebola, alho, tomate e pimentão; refogue por 6 a 8 minutos, mexendo, até a cebola ficar translúcida e o tomate começar a se desfazer.
- 3
Acrescente o sururu, misture por 2 a 3 minutos e cubra com a água filtrada. Quando levantar fervura, reduza para fogo médio-baixo e cozinhe por 10 a 12 minutos, até o marisco ficar macio e o caldo perfumado.
Não prolongue demais o cozimento: o sururu endurece se passar do ponto.
- 4
Adicione o leite de coco e a pimenta-de-cheiro. Cozinhe por mais 3 a 5 minutos em fervura suave, apenas até o caldo ficar aveludado e voltar a borbulhar nas bordas; ajuste o sal.
- 5
Desligue o fogo, incorpore o coentro e esprema algumas gotas de limão. Sirva imediatamente, bem quente, em cuias ou tigelas.
Servido sem espera, o caldinho preserva o gesto das cozinhas da Lagoa Mundaú: quente, aromático e feito para reunir gente em volta da panela.
🥃 Harmonização
Com cachaça
Branca/prata
Vegetal, cítrica e gelada
A leveza refresca o leite de coco e acompanha a salinidade do sururu sem cobrir o perfume do coentro.
Também combina
✈️ Um sabor que vale a viagem
Em Maceió, procure o sururu em cozinhas e mercados ligados ao complexo lagunar e pergunte sobre a procedência. Conhecer quem limpa, cozinha e vende o marisco amplia a receita para além da panela.
💡 Dicas rápidas
- •Compre sururu de origem conhecida, mantenha-o refrigerado e prepare-o no mesmo dia.
- •Para um caldo mais encorpado, deixe ferver sem tampa nos últimos 2 minutos; ele deve envolver a concha sem ficar pesado.
- •Se preferir mais ardor, acrescente pimenta aos poucos à mesa, para que o marisco continue no centro do sabor.
🤔 Você sabia?
O sururu foi aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura como Patrimônio Imaterial de Alagoas em 2014; sua pesca é fonte de renda para muitas famílias, sobretudo nas proximidades da Lagoa Mundaú, em Maceió.
Pequenas descobertas
- Sururu · ingrediente
- Molusco bivalve de água salobra, central na culinária alagoana.
- Leite de coco · ingrediente
- Líquido obtido da polpa do coco ralada e prensada, usado para dar corpo e suavidade ao caldo.
- Lagoa Mundaú · expressão cultural
- Lagoa do complexo lagunar de Maceió associada à pesca do sururu e à cultura alimentar alagoana.
📚 Referências
- Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas (Secult/AL) — Livro de Registro do Patrimônio Cultural: Sururu.
- G1 Alagoas — Conheça o sururu: uma iguaria que é Patrimônio Imaterial de Alagoas, 17 jul. 2021, atualizado em 28 set. 2025.
- Universidade Federal de Alagoas (UFAL) — estudos e ações de extensão sobre o Complexo Estuarino-Lagunar Mundaú-Manguaba e suas comunidades tradicionais.
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