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Receitas do Brasil inteiro

Dos pratos do litoral às quitandas de Minas, dos doces de festa às batidas de cachaça. Cada receita é uma porta para uma região, uma cultura e um gole.

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Vinho de açaí sem açúcar, peixe frito e farinha d'água formam uma refeição cotidiana na foz do Amazonas. É uma tradição amazônica compartilhada com o Pará, apresentada aqui pela mesa amapaense que trata o açaí como comida salgada.

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Massa de feijão-fradinho descascado e moído, frita em azeite de dendê e aberta para receber vatapá, caruru, camarão seco, salada e pimenta servida à parte.

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Servido fumegante, o angu de fubá estende na travessa uma camada dourada e macia, feita para receber o caldo do frango com quiabo, a carne de panela ou uma concha de feijão.

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Poucos pratos dizem tanto com tão pouco: arroz, alho, pimenta e pequi. Quando a panela abre, o aroma do fruto toma a cozinha e faz do acompanhamento uma declaração de origem.

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Arroz de carreteiro é o encontro de arroz, charque dessalgado e refogado de cebola e tomate. Uma panela só concentra a memória dos carreteiros, das carretas e da carne preservada para atravessar distâncias.

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No Maranhão, o arroz de cuxá não é apenas um acompanhamento: é o encontro do arroz com um refogado de vinagreira, camarão seco, gergelim torrado e farinha de mandioca. Servido ao lado de peixe frito ou camarão, leva à mesa a acidez que tornou a cozinha ludovicense inconfundível.

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O Maria-Isabel ganha sotaque tocantinense ao receber pequi: arroz refogado no fundo da panela com carne-de-sol, temperos frescos e o fruto amarelo que anuncia a estação do cerrado.

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O azul-marinho é um preparo caiçara de peixe em postas cozido com banana verde; parte da banana e do caldo se transforma em pirão fluido, servido ao lado.

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A baba de moça é um creme de gemas perfumado por leite de coco e amarrado em calda de açúcar. Servida fria em pequenas porções, ela se move devagar na colher e integra o repertório de doces baianos em que o coco encontra técnicas de doçaria de longa duração.

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Clássico nordestino levado às mesas de Brasília pela migração candanga, o baião de dois une feijão-de-corda, arroz, carne de sol, manteiga de garrafa e queijo coalho numa única panela.

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Prato-âncora do sertão cearense, o baião de dois junta arroz e feijão-de-corda na mesma panela. Nesta versão farta, jabá dessalgado, manteiga de garrafa e queijo de coalho dão corpo ao encontro.

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Baião de dois é encontro: do arroz com o feijão de corda, do queijo coalho com a manteiga de garrafa, da fartura cotidiana com as mesas de festa. Na Paraíba, ele acompanha a conversa comprida, o almoço de domingo e o compasso das noites de junho.

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O baião de dois une arroz e feijão-de-corda no mesmo caldo, finalizado com manteiga de garrafa, coentro e queijo de coalho. É clássico nordestino que integra o repertório de comida cotidiana e festiva de Pernambuco.

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Imagine o balcão de um mercado de Rio Branco ainda no escuro: o cuscuz de milho é desmanchado fumegante no prato, recebe a carne moída refogada com cebola e tomate e, no topo, um ovo frito de gema mole. É comida de quem acorda cedo e precisa de força — o prato mais acreano que existe, simples e potente.

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Fatias de banana-da-terra (pacovã) bem madura fritas até dourar e caramelizar. Acompanhamento clássico das mesas acreanas, equilibra o salgado dos peixes de rio e das carnes com sua doçura macia.

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Na panela de barro vedada, carne bovina e temperos atravessam horas de fogo manso até se tornarem quase um só caldo. No prato, a farinha branca cria o pirão e a banana-da-terra dá o contraponto doce que consagrou o barreado.

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Batida cremosa de abacaxi com leite condensado e cachaça branca, batida com gelo. Leva o abacaxi de Tarauacá, reconhecido na região pela doçura, num coquetel tropical que é festa no copo.

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Nascida de uma receita atribuída à Estação Ciência Mato do Açude, em Jataí, esta batida reúne polpa de araticum, cachaça, água e leite condensado. No copo gelado, o sabor de fruta madura abre uma pequena vereda do Cerrado.

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Feita com polpa de bacuri, cachaça branca, gelo e um toque de xarope, esta batida leva ao copo uma fruta que atravessa a paisagem maranhense entre a Amazônia e o Cerrado.

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A polpa de bacuri transforma a batida em uma bebida de textura aveludada e perfume maduro. Servida bem fria, ela traduz o encontro entre fruta de cerrado, gelo e cachaça sem encobrir a identidade do fruto.

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Batida tocantinense de polpa de buriti, cachaça branca e xarope de rapadura. Gelada e breve, ela transforma o fruto das veredas numa bebida de perfume intenso e textura macia.

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Publicada pela Emater-MG em cartilha de coquetéis de café elaborada em Manhuaçu, esta batida une leite condensado, cachaça e café forte frio. Na leitura mineira, põe no mesmo gole a lavoura em encosta e o cobre dos alambiques do Norte.

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Nas feiras e nas cozinhas de Alagoas, o cajá encontra a cachaça numa batida curta, gelada e direta. É uma bebida de fruta, feita para ser servida assim que o liquidificador para e antes que o gelo se renda ao sol.

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Esta batida nordestina junta polpa de cajá, leite condensado, leite gelado e cachaça branca. Em Pernambuco, ganha um vínculo particular com a Mata Sul, onde a cajazeira é comum entre canaviais, capoeiras e fragmentos de floresta.

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