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Receitas do Brasil inteiro

Dos pratos do litoral às quitandas de Minas, dos doces de festa às batidas de cachaça. Cada receita é uma porta para uma região, uma cultura e um gole.

Primeiro lote real importado: 5 pratos salgados de Santa Catarina. As fotos entram numa próxima etapa (por ora, arte por região).

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Imagine o balcão de um mercado de Rio Branco ainda no escuro: o cuscuz de milho é desmanchado fumegante no prato, recebe a carne moída refogada com cebola e tomate e, no topo, um ovo frito de gema mole. É comida de quem acorda cedo e precisa de força — o prato mais acreano que existe, simples e potente.

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Fatias de banana-da-terra (pacovã) bem madura fritas até dourar e caramelizar. Acompanhamento clássico das mesas acreanas, equilibra o salgado dos peixes de rio e das carnes com sua doçura macia.

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Batida cremosa de abacaxi com leite condensado e cachaça branca, batida com gelo. Leva o abacaxi de Tarauacá, reconhecido na região pela doçura, num coquetel tropical que é festa no copo.

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Bolo úmido feito com macaxeira (mandioca) ralada, coco, ovos e leite. Dispensa farinha de trigo e tem textura cremosa, sendo uma das quitandas mais tradicionais das tardes acreanas.

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Postas de pirarucu cozidas lentamente num caldo de tomate, cebola, pimentão e batata, perfumado com coentro e finalizado com ovos. É a caldeirada ribeirinha — o jeito de transformar o peixe do dia numa refeição completa, servida fumegante com pirão e farinha.

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Quando a pescaria é boa, a panela é grande. A caldeirada de tucunaré nasce assim: postas firmes do peixe mais cobiçado dos rios deitadas sobre camadas de tomate, pimentão e batata, cozidas devagar até o caldo ficar dourado e perfumado. Ao lado, o pirão feito do próprio caldo sela a fartura — aquele que ninguém quer deixar no prato. É a tradição que transforma um bom dia de rio em refeição de celebração.

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A carne-de-sol é dessalgada, grelhada na chapa até dourar e servida sobre macaxeira cozida e refogada na manteiga da terra. É o encontro, num prato só, do nordestino que veio extrair borracha com a mandioca que a Amazônia sempre deu — comida de força, de quem trabalha duro e come bem.

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Imagine fatias de banana-da-terra fritas na manteiga até ficarem douradas e macias, coroadas por lâminas de queijo coalho grelhado que rangem no dente, e por cima uma chuva de açúcar com canela. É sobremesa de fim de tarde no Ceará, daquelas que se faz em minutos e sela qualquer almoço de família.

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Fim de tarde em Boa Vista tem cheiro: o da gordura da costela de tambaqui pingando na brasa, levantando uma fumaça doce sobre o quintal. A carne branca e larga doura nas bordas e fica suculenta no centro, enquanto a farofa estala e o vinagrete corta com acidez fresca. É o churrasco que Roraima inventou para si — no lugar do boi do campo, o gigante do rio.

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Creme gelado de polpa de cupuaçu com leite condensado e creme de leite, batido até ficar aveludado e levado à geladeira. Simples, mas com o perfume inconfundível da fruta que os acreanos chamam de chocolate branco da Amazônia.

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Imagine um bolo alto e amanteigado, fatias de banana afundando na massa enquanto assam, e por cima uma camada generosa de farofa doce que doura e fica crocante. É a cuca do Vale do Itajaí — o bolo que os imigrantes alemães trouxeram e que virou sinônimo de café colonial em Santa Catarina, servido fatiado em mesas fartas de fim de tarde.

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No fogo de chão das comunidades Macuxi, uma única panela de barro reúne a família ao redor de um caldo escuro e fumegante. A damurida é isso: o peixe que se desfaz macio num líquido cor de terra, a ardência viva da jiquitaia, o amargor da floresta no tucupi negro. Come-se aos goles, cada um molhando seu beiju na mesma cuia — não é prato individual, é um gesto de partilha tão antigo quanto o próprio lavrado.

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Doce em pasta feito com polpa de buriti cozida lentamente com açúcar até engrossar. Tem cor de âmbar, textura cremosa e o sabor inconfundível dessa fruta da palmeira que cresce nas áreas alagadas do Acre.

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Enquanto o planeta inteiro come a castanha, o Ceará come também a fruta: o caju, aquela polpa amarela e suculenta que não viaja bem e por isso quase não sai do Brasil. Cozido devagar numa calda de açúcar e cravo, ele vira um doce de compota brilhante e perfumado — sobremesa de tabuleiro, de casa de interior, servida com uma fatia de queijo coalho ou pura, na colher.

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Marreco assado lentamente e recheado com miúdos, bacon e temperos, servido com repolho roxo (rotkohl), batatas e purê de maçã. É o prato mais emblemático da herança germânica de Santa Catarina, presente nas mesas de festa do Vale do Itajaí.

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É a comida do dia seguinte, e talvez por isso a mais querida. O peixe que sobrou do assado vira, na mão da avó, um refogado dourado e perfumado, engrossado de leve pela farinha que nunca falta na mesa roraimense. Não vai a festa nem a cardápio de restaurante — mora na memória afetiva de quem cresceu ouvindo que, do peixe, nada se perde.

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Ostras frescas do cultivo de Florianópolis cobertas com uma mistura de queijo, ervas e farinha de rosca, gratinadas até dourar. Entrada elegante e simples que celebra o produto mais famoso da maricultura catarinense.

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Há um som por trás dessa receita: o do pilão batendo, ritmado, que os nordestinos trouxeram na bagagem ao ajudar a erguer Roraima. A carne-de-sol frita e socada com farinha vira uma farofa seca, dourada e cheia de força — comida que mata a fome com pouco, dura a viagem inteira e, ao lado da banana frita, conta a história de um sertão que virou Amazônia.

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Aqui o pé de moleque troca o amendoim do Sudeste pela castanha de caju cearense e ganha a alma do sertão: a rapadura, açúcar escuro dos engenhos do Cariri, derretida até virar caramelo e amarrada às castanhas torradas. O resultado é uma barra rústica, brilhante e quebradiça, doce de feira de romaria e de mesa de São João.

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Pirão cremoso feito com o caldo do berbigão, pequeno molusco catado nas baías de Florianópolis, engrossado com farinha de mandioca. Acompanhamento e prato afetivo da tradição açoriana da Ilha de Santa Catarina, celebrado na Festa do Berbigão.

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Uma espécie de 'lasanha amazônica': o pirarucu salgado é dessalgado, desfiado e refogado, depois montado em camadas com banana-da-terra frita, farinha d'água, ovos e azeitonas, e levado ao forno para gratinar. É o prato de festa que transforma o maior peixe de escama da Amazônia em banquete.

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Refeição completa e abundante servida em etapas: camarões ao alho e óleo, à milanesa e no bafo, acompanhados de peixe frito, arroz, batata, salada e pirão. É o banquete-símbolo dos restaurantes do litoral de Santa Catarina, de Penha a Florianópolis.

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Quitanda de massa doce fermentada, frita em óleo quente até ficar fofa e dourada, polvilhada com açúcar e recheada com creme de baunilha. Herança das padarias e do café colonial alemão do Vale do Itajaí, é prima brasileira do Berliner.

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Imagine a massa dourada e folhada se partindo em lascas, e dentro dela maçãs fatiadas, macias e perfumadas de canela e passas. É o strudel da serra catarinense — feito com a maçã de São Joaquim, a cidade onde neva quase todo inverno e de onde sai cerca de uma em cada quatro maçãs do Brasil. Doce de café colonial nas tardes frias da serra.

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Suco feito com a polpa do taperebá, o cajá amazônico, batida com água e adoçada a gosto. Refrescante e aromático, é uma das bebidas mais queridas das tardes quentes do Acre.

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Imagine a uva escura amassada na panela soltando um caldo roxo e perfumado, coado ainda quente e guardado na garrafa — o suco integral que as famílias italianas do sul catarinense fazem desde os tempos das primeiras parreiras. Denso, doce e cheio de cor, é o sabor da mesa colonial servido bem gelado.

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Servido fumegante na cuia, o tacacá reúne tucupi (caldo da mandioca), goma de tapioca dissolvida, jambu e camarão seco. É bebido em goles, de preferência no fim da tarde, e surpreende pela leve dormência que o jambu provoca nos lábios — uma das experiências mais marcantes da cozinha amazônica.

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Tainha inteira recheada com farofa de ova ou de camarão e assada lentamente sobre uma telha de barro, técnica que perfuma e mantém a carne suculenta. É o prato sazonal mais aguardado do inverno catarinense, quando os cardumes de tainha cruzam o litoral.

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Tambaqui aberto em manta ou em postas, temperado com limão, alho e sal, e assado lentamente na brasa até a pele dourar e a carne soltar. Prato de festa ribeirinha, servido com farinha, pirão e pimenta.

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