No Maranhão, o arroz de cuxá não é apenas um acompanhamento: é o encontro do arroz com um refogado de vinagreira, camarão seco, gergelim torrado e farinha de mandioca. Servido ao lado de peixe frito ou camarão, leva à mesa a acidez que tornou a cozinha ludovicense inconfundível.
Por trás do sabor
O cuxá é um dos sinais mais reconhecíveis da mesa maranhense. A UFMA registra sua ligação histórica com a vinagreira, com o camarão seco, o gergelim e a farinha de mandioca, e o situa como elemento representativo da alimentação local. Ao envolver esse refogado no arroz, o prato aproxima a herança africana da vinagreira, a mandioca e os frutos do mar do golfão em uma receita que se tornou símbolo de São Luís e do Maranhão.
📜 Ingredientes
- 🍚arroz branco2 xícaras (chá)
- •vinagreira2 maços médios, somente as folhas🔁 acelga com algumas gotas de limão — Reproduz parcialmente o volume e a acidez, mas não entrega o perfume vegetal próprio da vinagreira.
- 🦐camarão seco150 g🔁 camarão seco pequeno sem casca — Mantenha a dessalga; o tamanho menor altera só a textura, não a identidade do prato.
- •gergelim3 colheres (sopa)
- 🌾farinha de mandioca fina2 colheres (sopa)🔁 farinha de mandioca biju bem triturada — A textura fica mais granulada; use pouca quantidade para o cuxá não perder a umidade.
- 🧅cebola1 unidade média, bem picada
- 🧄alho2 dentes, picados
- 🍅tomate2 unidades pequenas, sem sementes e picadas
- 🌿cebolinha3 colheres (sopa), fatiada
- 🌶️pimenta-de-cheiro1 unidade pequena, sem sementes e picada, ou a gosto
- 🥗azeite de oliva4 colheres (sopa)
- 💧águao suficiente para dessalgar o camarão, branquear a vinagreira e cozinhar o arroz
- 🧂sala gosto
👨🍳 Modo de preparo
- 1
Lave o camarão seco em água corrente. Deixe-o de molho em água fria suficiente para cobri-lo por 30 a 60 minutos, trocando a água uma ou duas vezes, até reduzir o excesso de sal. Escorra, prove um pedaço e reserve.
A dessalga é essencial: a intensidade do camarão seco varia muito de um fornecedor para outro.
- 2
Lave a vinagreira. Ferva água em uma panela grande, junte as folhas por 2 a 3 minutos, apenas até murcharem e ficarem verde-intensas. Escorra, espere amornar e pique finamente.
Evite cozinhar demais: a folha deve preservar sua acidez e não virar uma pasta opaca.
- 3
Leve o gergelim a uma frigideira seca em fogo baixo por 3 a 5 minutos, mexendo sem parar, até perfumar e dourar de leve. Soque ou pulse com metade do camarão seco até formar uma farofa úmida e irregular.
Não torre em fogo alto; o gergelim amargará antes de dourar por igual.
- 4
Cozinhe o arroz em panela tampada com água suficiente para cobri-lo e ultrapassá-lo em cerca de um dedo. Mantenha em fogo baixo por 15 a 18 minutos, até os grãos estarem macios e a água ter secado; desligue e deixe descansar 5 minutos.
Deixe o arroz solto, pois ele ainda receberá a umidade do cuxá.
- 5
Aqueça o azeite em fogo médio. Refogue a cebola por 4 a 5 minutos, até ficar translúcida; junte o alho e a pimenta-de-cheiro por 1 minuto, até perfumarem. Acrescente tomate, cebolinha e o restante do camarão seco; cozinhe por 3 a 4 minutos, até o tomate amaciar.
Ajuste o sal somente depois de o camarão aquecer, para não salgar o refogado.
- 6
Junte a vinagreira, a mistura de gergelim e camarão e a farinha de mandioca. Mexa em fogo baixo por 3 a 5 minutos, até o cuxá ficar úmido, ligado e sem líquido solto.
O cuxá deve ser espesso, mas nunca seco; se necessário, adicione 1 ou 2 colheres (sopa) de água quente.
- 7
Incorpore o cuxá ao arroz cozido com movimentos leves e aqueça por 2 minutos em fogo baixo, apenas até tudo ficar quente. Sirva imediatamente.
Tradicionalmente, o arroz de cuxá ganha companhia de peixe frito ou camarão fresco.
🥃 Harmonização
Com cachaça
Cachaça branca/prata de alambique
Jovem, vegetal e cítrica, servida gelada
A leveza acompanha o camarão e a acidez da vinagreira sem encobrir o tostado do gergelim.
Cachaça amarela leve/descansada
Suave, com madeira discreta
Funciona quando o arroz de cuxá é servido com peixe frito, sustentando a fritura sem competir com a folha azeda.
Também combina
✈️ Um sabor que vale a viagem
Em uma feira de São Luís, procure a vinagreira por suas folhas verdes e azedinhas. É nela que o arroz de cuxá deixa de ser apenas arroz com tempero e passa a carregar o sotaque do Maranhão.
💡 Dicas rápidas
- •Use camarão seco de boa procedência e mantenha-o refrigerado após abrir a embalagem.
- •Se a vinagreira vier com talos grossos, descarte-os; eles deixam o refogado fibroso.
- •Faça o cuxá pouco antes de servir para preservar a cor e a acidez da folha.
- •A versão doméstica varia de casa para casa: algumas mesas preferem o cuxá mais picado, outras mais rústico.
🤔 Você sabia?
A UFMA explica que o nome cuxá é relacionado ao termo Kutxá, da língua mandinga; a instituição também registra a presença do prato nos restaurantes de São Luís como parte da dieta e da memória local.
Pequenas descobertas
- Vinagreira · ingrediente
- Folha de sabor azedinho, da espécie Hibiscus sabdariffa, usada como base do cuxá.
- Cuxá · expressão cultural
- Refogado maranhense de vinagreira com gergelim torrado, camarão seco e farinha de mandioca.
- Camarão seco · ingrediente
- Camarão preservado por secagem e salga, de sabor concentrado.
- Gergelim · ingrediente
- Semente oleaginosa que, torrada, traz perfume e textura ao cuxá.
📚 Referências
- Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Cuxá: tradição e saúde na mesma receita. 2009. https://portais.ufma.br/PortalUfma/paginas/noticias/noticia.jsf?id=7246
- Embrapa Hortaliças. Hortaliças não convencionais. Hortaliças tradicionais: vinagreira. 2017. https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1071384/hortalicas-nao-convencionais-hortalicas-tradicionais-vinagreira
- Universidade Federal do Maranhão (UFMA), XV WTICIFES. Gastronomia Maranhense. https://wticifes2023.ufma.br/guia-turistico/gastronomia-maranhense/
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